Mapear empresas por estado e setor é o primeiro passo para quem quer vender, fazer parcerias ou estudar concorrência. Atualmente, você encontra mais de 25 milhões de CNPJs ativos no Brasil, mas a maioria das ferramentas cobra caro ou exige conhecimento técnico. A boa notícia: há jeitos simples, gratuitos e eficientes de fazer esse filtro.

 

Se você precisa consultar empresas por estado sem complicação, o caminho começa com fontes oficiais e algumas plataformas privadas. Neste guia prático, mostro o passo a passo para extrair listas segmentadas, interpretar dados do CNAE e usar essas informações na prospecção B2B – tudo em linguagem direta, sem jargões.

 

A intenção aqui é que você saia da página com uma estratégia clara: sabe onde buscar, como filtrar e o que fazer com os dados. Vamos nessa?

 

Onde consultar empresas por estado gratuitamente

O governo brasileiro disponibiliza bases públicas com informações cadastrais de todos os CNPJs. Essas fontes são o ponto de partida ideal, porque custam zero reais e trazem dados oficiais. A desvantagem? Nem sempre trazem telefones ou e-mails, mas servem para você validar a existência das empresas e seus dados corretos.

 

Antes de gastar dinheiro com plataformas pagas, explore essas duas ferramentas gratuitas. Elas já resolvem boa parte do mapeamento empresarial, principalmente se você busca apenas localização e classificação de atividade.

 

Mapa de Empresas: a ferramenta oficial do governo

O Mapa de Empresas é um portal mantido pela Secretaria Especial da Receita Federal. Ele consolida dados de 64 milhões de CNPJs já abertos no país, com atualização mensal. Você pode baixar planilhas completas por estado, município, porte, situação cadastral e, claro, pelo código CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas).

 

Eu uso essa ferramenta sempre que preciso de uma base oficial. O filtro por estado é rápido: selecione a UF, escolha o período e o tipo de arquivo (CSV ou Excel). Em seguida, é só importar a planilha e aplicar um filtro automático na coluna de CNAE. Para quem está começando, recomendo o tutorial em vídeo do próprio site – ele explica cada campo.

 

Um detalhe importante: o Mapa de Empresas não exibe dados de contato, como telefone ou e-mail. Ele serve para identificar quais empresas existem e onde estão. Para captar leads, você vai precisar combinar com outras fontes – ou buscar plataformas que ofereçam esses dados.

 

Dados abertos do IBGE e CEMPRE: estatísticas regionais

O IBGE mantém o Cadastro Central de Empresas (CEMPRE), que reúne informações de todas as empresas e organizações formais do país. Diferente do Mapa de Empresas, o CEMPRE não oferece download de lista nominal por empresa; ele fornece estatísticas agregadas por setor, região e porte.

 

Isso é útil quando você quer dimensionar um mercado: quantas empresas do setor X existem no estado Y, qual o faturamento médio, quantos empregados geram. Os dados são públicos e podem ser acessados pelo site do IBGE. Uma dica: baixe as tabelas do CEMPRE em formato CSV e use um pivot table (no Excel ou Google Sheets) para cruzar região e setor. Você descobre, por exemplo, que a indústria de alimentos concentra 12% das empresas no Sudeste e apenas 2% no Norte.

 

Ferramentas pagas para segmentar empresas por estado e setor

Quando você precisa de mais do que só informação cadastral – como telefone, e-mail, faturamento estimado ou até site –, as plataformas pagas entram em cena. Elas varrem bancos públicos e privados para enriquecer os dados. Cada uma tem seu diferencial; a escolha depende do seu orçamento e do volume de leads que precisa.

 

Duas são as mais populares hoje: Econodata e LeadJet. Vou comparar os pontos que considero mais relevantes para quem faz prospecção B2B.

 

Econodata vs LeadJet: qual atende melhor sua necessidade?

Ambas oferecem filtros por estado, cidade, CNAE, porte e situação cadastral. A Econodata tem uma base declarada de 26 milhões de empresas, com 21 milhões de contatos (telefones e e-mails). A LeadJet afirma ter mais de 21,7 milhões de contatos, mas com ênfase em validação em tempo real – ou seja, os números de telefone são checados antes de você acessar.

 

Na prática, a diferença aparece na usabilidade. A Econodata permite exportar listas para CRM direto e integra com Marketo e HubSpot. Já a LeadJet tem um plano gratuito muito limitado, mas cobra por lead – interessante se você precisa de poucos contatos. Se o seu volume for alto (mais de 500 leads por mês), a Econodata compensa mais no custo total.

 

Eu mesma já usei as duas. A Econodata me salvou quando precisei de uma base de 10 mil empresas do setor de tecnologia em São Paulo. A LeadJet foi melhor para testar algumas regiões pequenas, porque o crédito não expira com tanta pressa. O ideal é testar o trial de cada uma e comparar a qualidade das listas.

 

CaracterísticaEconodataLeadJet
Total de empresas26 milhões21,7 milhões
Contatos (tel/e-mail)21 milhões21,7 milhões
Validação de contatosPeriódica (não em tempo real)Em tempo real
Plano gratuitoTeste 7 diasPoucas consultas
IntegraçõesHubSpot, Marketo, APIAPI, Zoho, PipeDrive

 

Quando o Sebrae Censo TIC pode ser a melhor fonte

Se seu foco é o setor de tecnologia – startups, TIC, inovação –, o Censo TIC do Sebrae é uma mina de ouro. Em 2026, ele revelou que 70% das empresas de tecnologia estão concentradas em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. O censo fornece dados segmentados por porte, localização, faturamento e até maturidade digital.

 

O acesso é gratuito e o relatório pode ser baixado em PDF ou planilha. A limitação é que não é uma base de dados atualizada mensalmente – o censo é bienal. Para análises estratégicas de tendências, ele é imbatível. Para prospecção imediata, complemente com as ferramentas anteriores.

 

Passo a passo: como extrair uma lista de empresas filtrando por estado e CNAE

Vou mostrar o caminho prático usando o Mapa de Empresas, porque ele é gratuito e oficial. Em menos de 10 minutos você tem uma lista limpa. Siga os passos:

 

  1. Acesse o site do Mapa de Empresas (Redesim.gov.br) e clique em ‘Base de dados’. Selecione ‘Cadastro Nacional de Empresas’.
  2. Escolha o filtro por estado (UF) e depois a situação ‘Ativa’. Deixe os demais filtros em branco para ter a base completa. Clique em ‘Gerar arquivo’.
  3. Baixe o CSV. Ele virá com dezenas de colunas: CNPJ, razão social, CNAE primário e secundário, endereço, porte, data de abertura.
  4. Abra no Excel ou Google Sheets. Selecione a coluna ‘CNAE Primário’ e aplique um filtro personalizado. Digite os dígitos iniciais do setor que você quer (ex.: 47 para comércio varejista, 62 para tecnologia).
  5. Copie a lista filtrada para uma nova aba. Remova colunas que não precisa (tipo ‘natureza jurídica’ se não for relevante). Salve como CSV ou XLSX.
  6. Valide os dados: confira se há CNPJs duplicados (use ‘Remover duplicatas’ no Excel). Confira também se o endereço corresponde ao estado filtrado – pode erro de cadastro.
  7. Exporte para seu CRM ou guarde para enriquecimento posterior com dados de contato.

 

Esse método funciona para qualquer setor e estado. A cada mês, o arquivo é atualizado. Se a base do governo estiver muito pesada (às vezes chega a 2GB), filtre diretamente no site pela opção ‘Consulta avançada’ – você informa CNAE e UF e baixa só um subconjunto.

 

Como interpretar os dados do CNAE e superar a falta de contatos

O CNAE é um código de 7 dígitos que classifica cada atividade econômica. Os primeiros dois dígitos representam a divisão (ex.: 56 – alimentação), os três seguintes a classe (56.0 – restaurantes). Quanto mais completo o código, mais fina a segmentação. Por exemplo, ‘56.1’ é ‘Restaurantes e similares’; ‘56.2’ é ‘Serviços de catering’.

 

Na hora da prospecção, foque no CNAE primário – é a atividade principal da empresa. O CNAE secundário indica atividades complementares. Se você vende para escritórios de contabilidade, por exemplo, filtre pelo primário ‘69.2’ (atividades contábeis).

 

A falta de contatos nas listas gratuitas é a maior frustração. Para superar sem gastar dinheiro, combine a base do governo com o Google Meu Negócio. Jogue o CNPJ ou nome da empresa na busca do Google e veja se ela tem perfil – ali geralmente tem telefone, site e horário. Uma planilha com 2000 linhas pode ser enriquecida em um dia com pesquisa manual. Se o volume for alto, aí sim vale investir em ferramenta paga.

 

Números que importam: distribuição empresarial por região e porte

Entender a distribuição ajuda a priorizar esforços. Segundo dados de 2026, o Sudeste concentra 55% das empresas ativas do país, com destaque para São Paulo (mais de 8 milhões de CNPJs). O Sul vem com 23%, o Nordeste com 15%, Centro-Oeste 5% e Norte 2%.

 

Por porte, as microempresas (ME) dominam: 86% dos CNPJs ativos, mas só 20% do faturamento. As pequenas empresas (EPP) são 11%, as médias 2% e as grandes 1%. Isso mostra que o mercado B2B pode ser tanto de volume (micro) quanto de ticket alto (grandes).

 

Veja uma tabela com a distribuição por setor e região:

 

SetorSudesteSulNordesteCentro-OesteNorte
Serviços52%22%14%6%6%
Comércio50%25%15%5%5%
Indústria55%20%12%8%5%

 

Esses números indicam, por exemplo, que se você vende serviços para indústria, o Sudeste é prioridade. Se atende pequenos comércios, pode pulverizar pelo Sul e Nordeste.

 

Estratégias práticas para usar os dados na prospecção B2B

Ter a lista é só metade do caminho. O verdadeiro ganho está em transformar dados brutos em ações de venda. Vou compartilhar duas estratégias que usei recentemente e funcionaram bem.

 

Combinando Mapa de Empresas com Google Meu Negócio

Depois de extrair a lista de empresas por estado e CNAE, separe um lote pequeno (50 a 100 empresas) para testar. Jogue cada razão social no Google (pode fazer em lote com o ferramenta ‘Search by image’ ou usando um script simples no Python). O perfil do Google Meu Negócio mostra endereço, telefone, horário e avaliações – o que já dá um ótimo termômetro da qualidade do lead.

 

Num teste que fiz para o setor de pet shops em Belo Horizonte, das 300 empresas listadas, encontrei contato telefônico em 210 perfis. Em 20 minutos de pesquisa manual, preenchi uma planilha com dados que antes pareciam impossíveis de obter grátis. O segredo é ter um processo: copie o telefone para uma coluna, o site para outra, e classifique o lead (hot/warm/cold) pela quantidade de avaliações.

 

Dicas para limpar e enriquecer listas sem gastar

Listas do governo vêm cheias de sujeira: CNPJs inativos, duplicatas, colunas inúteis. Primeiro passo: remova empresas com situação ‘suspensa’, ‘inapta’ ou ‘baixada’. Depois, exclua linhas onde o CNAE primário está em branco – sinal de cadastro incompleto.

 

Para enriquecer, uma dica que aprendi com analista de inteligência de mercado: use a função PROCV (ou XLOOKUP) para cruzar o CNPJ com uma base de dados abertos de notas fiscais eletrônicas, como a Receita Federal disponibiliza via Sefaz. Se você tiver acesso a sistema de emissão de NF-e, pode importar a lista e puxar último faturamento. Ou então, use o próprio site da Receita Federal para consultar um a um (mas isso é demorado). O importante é não parar na lista básica – analise frequência de compras, localização geográfica e porte declarado.

 

Erros comuns ao consultar empresas por estado e como evitá-los

Quem já mexeu com dados públicos sabe que as armadilhas são muitas. O erro número um: confiar cegamente na situação cadastral. Muitas empresas aparecem como ‘ativa’ mas nunca emitiram nota fiscal, ou fecharam e não deram baixa. Para minimizar isso, cruze com dados de faturamento – se não houver nota fiscal no último ano, desconfie.

 

Outro erro é usar apenas o CNAE primário. Algumas empresas têm a atividade principal incorreta – um supermercado pode estar registrado como ‘comércio atacadista’ porque o dono abriu o CNPJ para concorrer a licitação. Por segurança, filtre também pelos secundários e confira no Google a real atividade.

 

Um terceiro erro clássico: ignorar a data da última atualização. O Mapa de Empresas é mensal, mas você pode baixar uma base de cinco meses atrás sem perceber. Sempre verifique no nome do arquivo a data de referência. Empresas novas ou que mudaram de endereço não estarão lá.

 

Por fim, não tente extrair contatos de bases que não oferecem – perde tempo. Aceite que as fontes gratuitas são para mapeamento, não para contato direto. Se você insiste em não pagar, use a combinação com Google Meu Negócio que ensinei. Senão, invista em uma plataforma paga.

 

Perguntas frequentes sobre consulta de empresas por localização

Como consultar empresas por estado gratuitamente sem o Mapa de Empresas?

Você pode usar o site da Receita Federal, na opção ‘Emissão de Comprovante de Inscrição Estadual’, mas só consulta uma empresa de cada vez. Outro caminho é a API de dados abertos do governo, mas exige conhecimento de programação. O Mapa de Empresas é a ferramenta mais prática e gratuita disponível hoje.

 

Qual código CNAE devo usar para encontrar empresas de tecnologia?

Tecnologia abrange vários códigos: 62.0 (desenvolvimento de software), 63.1 (tratamento de dados), 47.8 (comércio de equipamentos de informática). Consulte a lista completa no site do IBGE e filtre pelos CNAEs que mais se aproximam do seu segmento.

 

Empresas com dados desatualizados na base: como identificar?

Verifique a data de abertura (se for muito antiga e não tiver movimento recente) e a situação cadastral. Empresas ‘inativas’ ou ‘suspensas’ já estão fora. Para uma verificação extra, busque o CNPJ no site da Receita – ele mostra a data da última declaração.

 

É legal usar dados do Mapa de Empresas para prospecção comercial?

Sim, os dados são públicos e você pode usá-los para contato profissional, desde que respeite a LGPD. Ou seja, não use dados de contato pessoal (como celular de pessoa física) sem consentimento. Números comerciais de empresas são considerados de interesse público.

 

Preciso de um software específico para tratar listas de 50 mil empresas?

Não necessariamente. O Excel (ou Google Sheets) limita em 1 milhão de linhas. Para 50 mil, ele dá conta. Se precisar de mais performance, ferramentas como SQLite ou Python são úteis. Mas para a maioria dos cenários, o Excel resolve.

 

Mapear empresas por estado e setor não precisa ser um bicho de sete cabeças. Comece pelas ferramentas gratuitas, faça testes com listas pequenas, e combine fontes para enriquecer os contatos. O mais importante é agir: qualquer lista, por mais simples que seja, vale mais do que não ter dado nenhum. Pegue o passo a passo que mostrei aqui e coloque em prática ainda hoje. Seu primeiro lote de 100 empresas filtradas está a poucos cliques de distância.

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Sou Kai Almeida, administrador e especialista em estratégia de negócios, com 15 anos de estrada dedicados à fronteira da tecnologia. Minha carreira foi construída na prática, desenhando soluções de Inteligência Artificial, governança digital e arquitetura de softwares que geram eficiência operacional, proteção de dados e lucro real para as empresas.Aqui no Ação Inovadora, meu papel é liderar a vertical de Tecnologia Corporativa (SaaS) e Segurança da Informação. Eu traduzo conceitos complexos de cibersegurança, nuvem, APIs e conformidade digital em roteiros práticos e direto ao ponto para líderes. Meu objetivo é simples: garantir que a infraestrutura tecnológica e os sistemas da sua empresa sejam seguros, escaláveis e prontos para dominar o mercado hoje.