A comunicação visual não é um gasto supérfluo para quando sobrar orçamento — é o investimento mais direto na percepção de valor da sua marca. A maioria dos empreendedores acredita que contratar um designer ou comprar softwares caros é a única forma de ter materiais visuais profissionais, e por isso adiam a estruturação visual do negócio. Esse pensamento custa vendas todo dia: um post mal diagramado, um cartão de visita improvisado, uma embalagem genérica são barreiras que afastam o cliente antes de qualquer argumento. O que pouca gente conta é que a comunicação visual não depende de talento nato para desenhar, nem de mensalidades pesadas em ferramentas — depende de método. Na minha experiência analisando resultados de conteúdo, o que separa o amador do profissional não é dom artístico, é disciplina visual. Com uma sequência lógica de decisões sobre cores, fontes e espaços, você constrói uma identidade que comunica confiança mesmo com recursos enxutos. Este artigo mostra como aplicar essa lógica no seu negócio, sem rodeios e sem depender de ninguém.

  • Design gráfico organiza elementos visuais — tipografia, cores, imagens — para comunicar mensagens com clareza e gerar resposta no público.
  • Ferramentas gratuitas como Canva e Figma permitem criar projetos de qualidade profissional sem conhecimento técnico aprofundado em desenho.
  • A identidade visual de uma marca influencia diretamente a confiança do consumidor e a decisão de compra, especialmente em redes sociais.
  • Erros comuns como excesso de fontes, baixo contraste e falta de hierarquia prejudicam a leitura e afastam potenciais clientes.

Por que a aparência do seu negócio fala mais alto do que você imagina

O cérebro humano processa imagens 60 mil vezes mais rápido do que texto. Isso significa que, antes de ler o nome da sua loja, o cliente já formou uma impressão baseada nas cores, no formato e na organização visual do que está vendo. Design gráfico é o que transforma esse instante em confiança — ou em desconfiança.

Muitos empreendedores subestimam o impacto visual porque acham que o “conteúdo é o que importa”. Mas um conteúdo valioso entregue com embalagem descuidada é como uma conversa importante dita aos gritos: a mensagem se perde. No ambiente digital saturado de hoje, a primeira batalha é pela atenção, e o design é o soldado da linha de frente.

Antes de abrir qualquer programa, defina as três palavras-chave da personalidade da sua marca. Isso guiará todas as escolhas visuais e evitará decisões por gosto pessoal.

Design gráfico: muito além de desenhar logos

Designer ajustando logo digital em computador com paleta de cores ao lado
O processo criativo de um designer gráfico, com a paleta de cores definindo o tom do projeto.

O design gráfico é a prática de projetar comunicações visuais intencionais para transmitir uma mensagem específica. Vai desde a placa de trânsito que você lê em frações de segundo até a interface do aplicativo do banco que organiza suas finanças. O logotipo é uma peça do quebra-cabeça, não o jogo inteiro.

O que faz um designer gráfico no dia a dia?

Profissional organizando layouts sobre uma mesa de trabalho com materiais de design
Na bancada, o designer ajusta as peças gráficas antes da aprovação final.

Um designer gráfico resolve problemas de comunicação usando elementos visuais. Ele não apenas cria peças bonitas; ele estrutura informações para que o público entenda, se envolva e aja. No cotidiano, isso envolve reuniões com clientes para entender objetivos, pesquisa de referências, esboços à mão ou no computador, testes de cor e tipografia, e ajustes até a entrega final.

  • Briefing: traduzir demandas do cliente em um plano visual.
  • Pesquisa de referências e análise de concorrência.
  • Criação de wireframes ou rascunhos.
  • Escolha de paleta cromática e famílias tipográficas.
  • Diagramação de peças (posts, sites, relatórios).
  • Revisão e adaptação para diferentes formatos.
  • Apresentação e defesa das escolhas.

Por que o design visual é importante para a confiança e as vendas?

Pessoa apontando para vitrine com design de marca
Um gesto que chama atenção para o design de marca na vitrine.

O design visual é o primeiro vendedor da sua marca. Em ambientes digitais, onde não há um sorriso ou um aperto de mão, a aparência comunica profissionalismo. Um estudo clássico da área de usabilidade mostra que usuários julgam a credibilidade de um site em 50 milissegundos. Se o visual parecer descuidado, a mensagem de venda perde força antes mesmo de ser lida.

Invista em consistência visual: use no máximo duas fontes e uma paleta de até quatro cores em todas as suas peças. Isso gera reconhecimento instantâneo e reduz a poluição visual.

E não se preocupe com habilidades de desenho: o design gráfico é sobre composição, não sobre ilustração. Mesmo quem nunca desenhou consegue criar peças profissionais com os fundamentos certos.

Habilidades que importam: composição, tipografia e cor

  • Composição: distribuir elementos no espaço para guiar o olhar.
  • Tipografia: escolher e combinar fontes para comunicar o tom certo (seriedade, diversão, elegância).
  • Cor: entender a psicologia das cores e como criar paletas harmoniosas.
  • Hierarquia: destacar o mais importante através de tamanho, contraste e posição.
  • Atenção aos detalhes: alinhamento, espaçamento, consistência.

Como desenvolver o olhar criativo sem saber desenhar

O olhar criativo se treina com exposição e análise. Visite galerias online como Behance e Dribbble, mas não apenas para admirar — pergunte-se por que um layout funciona. Observe a proporção das margens, a relação entre imagem e texto, o motivo da paleta de cores. Colecione referências que comuniquem o sentimento que você quer transmitir. Com o tempo, você passa a reproduzir essas lógicas, não as formas.

Salve imagens que te impactam e crie pastas por sentimento – “sofisticação”, “diversão”, “confiança”. Na hora de criar, olhe para essas pastas, não para um tutorial decorado.

Principais áreas do design gráfico: onde começar

Quatro cartões impressos mostrando identidade visual, embalagem, site e revista sobre fundo neutro.
O projeto gráfico ganha forma em diferentes suportes, do papel à tela.

Identidade visual: logos, cores e tipografia de marca

Prancha de identidade visual com logo e papelaria sobre fundo claro
Modelo de inspiração para apresentar uma identidade visual completa, com logo e itens de papelaria.

A identidade visual é o sistema que torna sua marca reconhecível visualmente. Ela inclui logotipo, paleta de cores, fontes, padrões e aplicações. Não se trata de gosto pessoal; cada elemento deve ser escolhido com base no posicionamento da marca. Na minha experiência, a consistência no uso das cores e fontes é o que realmente constrói reconhecimento de marca. Uma marca de alimentação saudável, por exemplo, usa tons verdes e terrosos para remeter à natureza, enquanto uma marca de tecnologia aposta em azuis e cinzas para transmitir confiança e precisão.

  • Logotipo: o símbolo central.
  • Paleta de cores: até 4 cores com significado.
  • Tipografia: famílias de fontes com hierarquia.
  • Elementos gráficos de apoio: texturas, padrões.

Design editorial: revistas, livros e materiais impressos

Revista aberta com páginas de diagramação criativa e cores vibrantes sobre mesa clara.
Um exemplo de diagramação que mostra como a organização visual pode guiar a leitura.

O design editorial cuida da organização de conteúdo em publicações. No seu negócio, isso se traduz em catálogos, e-books, manuais, folhetos. A boa diagramação guia a leitura, evita fadiga visual e destaca as informações mais importantes. Mesmo um simples cardápio pode ganhar elegância com margens bem proporcionadas e uma hierarquia clara de títulos e corpo de texto.

UX/UI: o design gráfico aplicado a produtos digitais

Telas de aplicativo com prototipagem e ícones sobre uma mesa de trabalho
O processo de design gráfico começa com a prototipagem de telas, onde cada ícone e layout são testados antes da implementação final.

UX (User Experience) e UI (User Interface) são a aplicação do design gráfico em sites, aplicativos e sistemas. UX mapeia a jornada do usuário para que ele cumpra uma tarefa sem dificuldade; UI define a aparência dos botões, ícones e telas. Para uma loja virtual, isso significa garantir que o cliente encontre o produto, clique para comprar e finalize o pedido sem frustração.

Ferramentas que colocam o design gráfico ao seu alcance

Interface do Canva exibindo diversos modelos prontos de design gráfico na tela inicial.
A interface do Canva apresenta uma variedade de modelos prontos para facilitar a criação de peças de design gráfico.

Canva, Crello e plataformas low-code para quem está começando

Mesa de trabalho com computador exibindo Photoshop e mesa digitalizadora ao lado
O ambiente de trabalho de um designer, com o Photoshop aberto e a mesa digitalizadora pronta para uso.

Canva e Crello (agora VistaCreate) democratizaram o design visual para não-designers. Com modelos prontos, bancos de imagens e interfaces intuitivas, você cria posts, apresentações e documentos visuais em minutos. São ideais para empreendedores que precisam de rapidez e não podem investir na curva de aprendizado de softwares profissionais. Na correria da produção de conteúdo, o Canva é o recurso que mais recomendo — contanto que você dedique um minuto para adaptar o template à sua paleta. A chave é personalizar os templates para não parecerem genéricos.

  • Vantagens: gratuito (versões iniciais), fácil aprendizado, colaborativo.
  • Limitações: menos controle fino, templates podem parecer comuns.

Nunca use templates exatamente como vêm. Troque as cores pelas da sua marca, substitua as fontes e ajuste o layout para sua necessidade — isso leva segundos e elimina a cara de “pronto”.

Adobe Photoshop e Illustrator: domine o padrão do mercado

Equipe de design reunida em frente a uma tela grande exibindo um protótipo no Figma
O time acompanha de perto cada ajuste do protótipo, direto na tela grande.

Photoshop e Illustrator são as ferramentas profissionais mais consolidadas. O Photoshop é voltado para edição e manipulação de imagens bitmap, enquanto o Illustrator trabalha com gráficos vetoriais — ideais para logotipos e ilustrações que precisam ser redimensionados sem perda de qualidade. A curva de aprendizado é mais íngreme, mas o controle criativo é total. Para quem leva o design a sério, valem cada hora de estudo.

Figma: colaboração e prototipagem em tempo real

O Figma se tornou essencial para design de interfaces e projetos colaborativos. Funciona direto no navegador, permite que várias pessoas editem o mesmo arquivo simultaneamente e inclui recursos de prototipagem para simular aplicativos e sites. É gratuito para uso individual e tem versão web, eliminando instalações. Para equipes de marketing que precisam alinhar posts e landing pages, é uma revolução.

FerramentaTipoPreçoIdeal para
CanvaOnlineGratuito/PagoIniciantes, redes sociais
FigmaOnlineGratuito (individual)UI/UX, colaboração
Adobe PhotoshopDesktopAssinaturaEdição de imagens
Adobe IllustratorDesktopAssinaturaVetores, logotipos

Diferenças entre design gráfico e design digital: qual é qual?

O que cada um engloba e onde se conectam

Design gráfico é o guarda-chuva que cobre toda comunicação visual, do impresso ao digital. Design digital é a especialização em meios eletrônicos: sites, apps, redes sociais, e-mail marketing. Enquanto o designer gráfico pode criar um cartaz para a rua ou um banner para o site, o designer digital foca exclusivamente nas interações em tela, considerando usabilidade e responsividade. Eles se conectam na identidade visual: a marca deve ser consistente tanto no papel quanto no pixel, e muitas peças começam no gráfico e são adaptadas para o digital.

CritérioDesign GráficoDesign Digital
FocoComunicação visual amplaInteração em telas
ExemplosCartaz, folder, embalagemSite, app, e-mail
FerramentasPhotoshop, IllustratorFigma, Sketch
Conceitos-chaveTipografia, cor, composiçãoUI, UX, prototipagem

Como criar uma identidade visual com baixo orçamento

Passo a passo: do planejamento aos arquivos finais

Um sistema visual de baixo custo exige mais estratégia do que dinheiro. Você não precisa de um logotipo complexo; precisa de um símbolo e uma paleta que funcionem em preto e branco e em pequenas dimensões. Siga uma sequência de decisões: (1) Defina a personalidade da marca em três palavras; (2) Escolha uma paleta de até três cores com significado; (3) Selecione duas fontes — uma para títulos, outra para textos; (4) Crie o logotipo e variações; (5) Defina o uso de imagens (fotografia, ilustração); (6) Monte um manual simples de aplicação. Use ferramentas gratuitas como Canva para os primeiros esboços e refine com Figma ou Inkscape.

Teste seu logotipo em tamanho miniatura e em escala de cinza. Se ele continuar legível e mantiver personalidade, você tem uma marca forte e versátil.

Ferramentas gratuitas para colocar em prática

Monte sua comunicação visual sem gastar um centavo. O Canva oferece versão gratuita com boa biblioteca; o Figma permite criar e exportar vetores; o Inkscape é uma alternativa open-source ao Illustrator; o Adobe Color ajuda a gerar paletas harmônicas; e o Google Fonts tem centenas de fontes licenciadas para uso comercial. Para testar contraste de cores, use o WebAIM Contrast Checker — acessibilidade é parte do design, não um detalhe.

Design para mídias sociais: ideias para engajar e vender

Formatos e tamanhos de imagens para cada plataforma

Cada plataforma tem seus formatos ideais, e usar o tamanho errado distorce a imagem ou corta informação. Para o Instagram, o feed pede quadrado (1080x1080px) ou retrato (1080x1350px); Stories e Reels são verticais (1080x1920px). No Facebook, o feed aceita o mesmo formato, mas o link compartilhado prefere horizontal (1200x630px). No LinkedIn, o formato horizontal (1200x627px) é padrão. O YouTube usa thumbnails em 1280x720px. Sempre cheque as medidas atualizadas na central de ajuda de cada plataforma, pois elas mudam com frequência.

PlataformaFormato PrincipalResolução
Instagram FeedQuadrado1080 x 1080 px
Instagram Story/ReelsVertical1080 x 1920 px
Facebook FeedHorizontal1200 x 630 px
LinkedInHorizontal1200 x 627 px
YouTube ThumbnailHorizontal1280 x 720 px

Tendências de design gráfico que moldam o futuro

Em mais de uma década à frente de operações de conteúdo, vi empreendedores adiarem o lançamento de produtos porque o logo “não estava pronto”. Vi gestores paralisados diante do Canva, com medo de errar a fonte. Essa angústia revela algo importante: o design ainda é tratado como um bicho de sete cabeças, um dom que só os artistas possuem. Mas a minha experiência me mostrou o contrário: as marcas que mais crescem em presença visual não são as que têm o designer mais talentoso a bordo; são as que têm um método claro de decisão. Elas sabem que design gráfico é, antes de tudo, disciplina de comunicação. No Brasil, temos referências visuais riquíssimas — da estética das ruas ao vernáculo das novelas — que podem ser traduzidas em projetos acessíveis. O pulo está em entender os mecanismos, não em desenhar bem. As seções a seguir aprofundam como aplicar esses mecanismos em áreas específicas e tendências contemporâneas.

Inteligência artificial como acelerador criativo

Design para vídeos curtos: relevância no TikTok e Instagram

Os vídeos verticais dominam a atenção, e o design gráfico para esse formato exige adaptações. É preciso criar sobreposições de texto dinâmicas, transições visuais que prendam o olhar nos primeiros segundos e thumbnails que funcionem como um cartaz de rua: chamativos e compreensíveis de relance. Plataformas como CapCut simplificam a edição com modelos, mas a diferença competitiva está em manter a identidade visual da marca em cada corte rápido. Use sempre a mesma paleta e tipografia nos vídeos para reforçar o reconhecimento.

Sustentabilidade e identidades visuais humanizadas

Há um movimento crescente por marcas que fogem do visual corporativo frio e adotam estéticas orgânicas, feitas à mão ou inspiradas na natureza. Isso se traduz em paletas terrosas, texturas de papel reciclado, fontes manuscritas e ilustrações imperfeitas. Para negócios locais e artesanais, essa tendência é uma oportunidade de transmitir autenticidade e preocupação ambiental. O design gráfico entra como contador de histórias: ele não precisa parecer caro, precisa parecer verdadeiro.

Erros comuns que sabotam seu design gráfico

Excesso de fontes e cores: poluição visual

Usar muitas fontes e cores é o erro mais frequente de quem está começando. Confesso que me incomoda ver um post com três fontes diferentes e cores que não conversam — a confusão visual afasta o leitor. A recomendação é: no máximo duas famílias tipográficas (uma para títulos, outra para corpo) e uma paleta com três a cinco cores — incluindo uma cor de destaque e tons neutros. O exagero cansa a vista e dilui a mensagem. Quando tudo grita, nada é ouvido.

Precisa de um atalho? Copie a paleta de uma foto que represente o clima da marca usando a ferramenta Adobe Color — ela extrai as cores dominantes automaticamente.

Falta de hierarquia na informação

Hierarquia visual indica ao leitor o que olhar primeiro. Sem ela, o cérebro não sabe por onde começar e abandona a peça. Crie hierarquia com diferenças de tamanho (título maior, subtítulo médio, texto menor), peso da fonte (negrito para ênfase) e cores contrastantes. Em um post de venda, o desconto deve ser o elemento mais visível, não a frase de efeito. Teste: feche os olhos, abra e veja para onde seu olhar vai automaticamente — se não for o ponto chave, ajuste.

Uso inadequado de imagens sem autorização

Baixar imagens do Google sem verificar licença é um risco jurídico. Felizmente, existem bancos de imagens gratuitos com fotos de qualidade e licença comercial: Unsplash, Pexels, Pixabay e o próprio banco do Canva. Para ícones, Flaticon e Font Awesome oferecem opções seguras. Lembre-se: até mesmo fotos de pessoas podem exigir autorização de uso de imagem, então prefira bancos que já garantem isso.

Onde encontrar inspiração de design gráfico de verdade

Behance, Dribbble e Pinterest: papel para cada fase

Behance é a vitrine de portfólios profissionais; use para ver projetos completos, do briefing ao resultado, e entender a lógica por trás. Dribbble é mais fragmentado, ideal para encontrar estilos de interface e pequenas animações. O Pinterest funciona como um grande mural de referências rápidas — mas cuidado: ele mostra tendências, não necessariamente bons fundamentos de design. Organize pastas temáticas e revise-as antes de criar, não como cópia, mas como ponto de partida.

Livros de design e direção de arte que formam olhar

Alguns livros são bússolas atemporais: ‘Novos Fundamentos do Design’, de Ellen Lupton, ensina a pensar visualmente com teoria e exemplos práticos; ‘A Psicologia das Cores’, de Eva Heller, revela como as cores afetam a percepção; ‘Tipografia’, de Emil Ruder, é a bíblia da composição com tipos. No contexto brasileiro, ‘O Design do Dia a Dia’, de Donald Norman, continua sendo leitura obrigatória para entender usabilidade. Não são livros para decorar, mas para consultar sempre que travar em uma decisão.

Referências fora do óbvio: ruas, arte urbana e música

A inspiração não está só nas telas. Paredes grafitadas, fachadas de botecos tradicionais, capas de discos de vinil, cartazes de feira livre — o design vernacular brasileiro é uma escola gratuita de composição e cor. Essas referências carregam identidade cultural e podem diferenciar sua marca do visual pasteurizado das redes sociais. Ande pela cidade com um olhar de colecionador: fotografe combinações de cores, tipografias de letreiros, texturas de muros. Use essas imagens para construir paletas e estilos únicos.

Carreira em design gráfico: primeiros passos

Primeiro portfólio: mostrando talento sem experiência

Montar o primeiro portfólio assusta, mas você pode criar projetos fictícios ou refazer marcas locais como exercício. O importante é mostrar seu raciocínio: inclua a descrição do problema, o processo criativo (rascunhos), e o resultado final. A plataforma Behance é ideal para hospedar. Foque em 3 a 5 projetos consistentes em vez de quantidade. E lembre-se: um bom portfólio é mais sobre clareza da apresentação do que sobre complexidade gráfica.

Como não tem cliente ainda? Redesenhe o logo e o cardápio de um restaurante que você frequenta. Use isso como case e mostre o antes e depois. É um argumento poderoso.

Onde encontrar clientes no mercado atual

Além das plataformas de freelancers como Workana e 99Freelas, uma estratégia eficaz é prospectar localmente: pequenos negócios de bairro muitas vezes não têm identidade visual e precisam de ajuda com preços acessíveis. Redes sociais como Instagram e LinkedIn também são canais ativos — publique seus projetos com uma explicação do valor entregue, não apenas a imagem. Networking em eventos de empreendedorismo e coworkings pode gerar indicações. A melhor forma é mostrar como o design gráfico resolve um problema de vendas, e não apenas embeleza.

Design de embalagem e o poder de venda no ponto de contato

Como a embalagem influencia a compra por impulso

A embalagem é o vendedor silencioso na gôndola. Mais da metade das decisões de compra no varejo físico acontecem no ponto de venda, influenciadas pelo visual. Cores, texturas e formatos ativam sensações: uma caixa tátil com acabamento fosco sugere premium; uma embalagem transparente com tipografia bold transmite honestidade. Para pequenos produtores, investir em um design de embalagem que conte uma história pode ser o diferencial entre ser ignorado ou colocado no carrinho.

Principais tendências de packaging para os próximos anos

Minimalismo transparente, materiais biodegradáveis, tipografia como protagonista e ilustrações narrativas estão em alta. A personalização extrema também cresce, com embalagens que viram objeto de desejo e são reutilizadas. No Brasil, marcas de cosméticos naturais lideram esse movimento com estojos de papel semente e rótulos pintados à mão. A tendência é que a embalagem deixe de ser descartável e vire parte da experiência da marca.

Do esboço à execução: um roteiro prático para o seu negócio

Como aplicar: checklist de 7 etapas

  1. Defina os três adjetivos que resumem a personalidade da marca. Ex.: “aconchegante, local, sustentável”. Isso guia todas as escolhas.
  2. Escolha uma paleta de cores usando o Adobe Color ou olhando fotos de referência. Limite-se a uma cor principal, uma secundária e duas neutras.
  3. Selecione duas fontes no Google Fonts: uma para títulos (com personalidade) e outra para textos (legível e neutra). Teste a combinação no FontPair.
  4. Crie um logotipo simples no Canva ou Figma: combine ícone mais texto. Priorize a legibilidade em tamanho pequeno.
  5. Teste o contraste das cores usando o verificador WebAIM. Garanta que texto sobre fundo tenha nível AA pelo menos.
  6. Defina o estilo de imagens que representará a marca: fotografia luminosa, ilustração flat, colagem etc. Mantenha coerência.
  7. Monte um mini manual da marca de uma página no Google Docs ou Notion: compile cores, fontes, logo e exemplos de uso. Isso evita desvios.

Acessibilidade não é opcional: os testes de contraste são especialmente importantes para incluir pessoas com baixa visão e também para leitura em telas sob luz solar.

O que evitar: três armadilhas que queimam orçamento

  • Contratar um design caríssimo sem ter um briefing claro: o resultado será bonito, mas desconectado da estratégia.
  • Copiar a identidade visual de um concorrente direto: além de antiético, confunde o público e enfraquece sua diferenciação.
  • Investir em dezenas de variações antes de validar o conceito básico com clientes reais. Lance o mínimo viável e ajuste com feedback.

Cuidados na rotina: mantenha a consistência sem engessar

Use o manual da marca como bússola, não como corrente. Pequenas adaptações para diferentes plataformas são bem-vindas, desde que a essência permaneça. Revise o manual a cada dois anos para ver se a personalidade ainda representa o negócio. E, principalmente, não terceirize completamente o olhar: o dono do negócio é quem mais entende a alma da marca; o design é apenas o tradutor.

Design gráfico não é um dom reservado a almas artísticas. É uma linguagem — e como qualquer linguagem, você não precisa ser poeta para se fazer entender. Basta conhecer o alfabeto visual básico e praticar a conversação. A beleza do design para negócios está em sua imensa capacidade de amplificar uma mensagem autêntica, não em esconder fragilidades atrás de efeitos bonitos. Quando você domina o essencial, a comunicação visual deixa de ser um obstáculo e vira um dos ativos mais rentáveis da sua marca — aquele que trabalha 24 horas por dia, em cada vitrine, cada post, cada cartão entregue.

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Olá, sou Silvia Rehn, editora-chefe no Inteligência Setorial, CEO e fundadora da Editora Jabuticabytes. Minha atuação como estrategista de SEO e Digital Publishing une uma base acadêmica forte — com formação em Marketing pela ESPM e pós-graduação em Negócios pela PUC — à prática de quem lidera o mercado digital diariamente.Aqui no Ação Inovadora, meu papel é comandar a vertical de Marketing, Growth e Infraestrutura Web. Eu traduzo inteligência de negócios em ecossistemas de conteúdo de alta performance, usando o poder do tráfego orgânico, tráfego pago e SEO técnico para construir marcas altamente respeitadas pelo público (e pelo Google). Minha missão é garantir que a estrutura digital e a estratégia de marketing da sua empresa gerem resultados escaláveis, sustentáveis e lucrativos.