A inteligência artificial do Google e a do Bing não citam o mesmo tipo de página de pequenas empresas. Em um estudo com quatro empresas brasileiras, o conteúdo informacional somou de 74% a 94% das impressões de IA no Google, enquanto até 70% das citações amostradas do Copilot e dos parceiros do Bing foram para páginas comerciais e de comparação.
Quem assina a pesquisa é Lucas Ferraz, que começou a atuar profissionalmente com sites em 2007 e, em 2022, formalizou na capital mineira a Lucas Ferraz SEO. A empresa cuida de criação de sites, SEO e Generative Engine Optimization (GEO), nome dado ao esforço de fazer uma marca aparecer nas respostas de assistentes como ChatGPT e Gemini. Ferraz escreveu o livro “A Empresa que a IA Recomenda” (2026), que divide a presença digital em Camada do Achado, ser encontrado na busca do Google, e Camada da Recomendação, ser indicado por uma IA, e mantém o lucasferraz.com, site pessoal em que publica as pesquisas para profissionais de SEO.
O relatório, “Como sistemas de IA citam sites de pequenas empresas brasileiras”, teve a versão 2.0 publicada em 23 de setembro no Zenodo, repositório científico operado pelo CERN, a Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear, com DOI (Digital Object Identifier), o identificador permanente usado em publicações acadêmicas, e licença aberta Creative Commons Atribuição 4.0 (CC BY 4.0).
Há uma ressalva importante: os quatro sites foram otimizados pelo próprio autor, e a pesquisa não tem grupo de controle, então os números mostram uma tendência sem provar o que a causou.
Os números vêm de duas fontes oficiais que qualquer dono de site pode consultar: o relatório de recursos de IA generativa do Google Search Console, painel gratuito que mostra como as páginas aparecem na busca do Google, e o relatório AI Performance do Bing Webmaster Tools, o equivalente da Microsoft. Os quatro sites são de pequenas e médias empresas (PMEs) de setores sem relação entre si: joias e imóveis, voltados ao consumidor, e serviços de tecnologia da informação (TI) e engenharia, voltados a outras empresas. O período analisado vai de 18 de maio a 17 de agosto de 2026.
Google cita guias e Bing cita comparações
No estudo, o Google concentrou as impressões de IA em conteúdo informacional, como guias e artigos que respondem dúvidas, e o Copilot e os parceiros do Bing citaram mais páginas comerciais, como as de serviço, preço e comparação entre opções.
Na prática, o mesmo site de uma pequena empresa pode ser lido de formas diferentes pelas duas plataformas. O artigo que responde uma dúvida tende a aparecer nos recursos de IA do Google, e a página que compara serviços e mostra condições tende a ser a fonte citada pelo Copilot.
A versão 2.0 revisou o método sem alterar dados, tabelas ou números. A principal mudança foi retirar a atribuição de parte das citações do relatório do Bing ao ChatGPT, porque a documentação pública da Microsoft não informa quais parceiros usam o serviço e o relatório não separa as citações por assistente.
Quatro casos mostram tendência e não regra para o mercado
Com quatro casos, a pesquisa mostra uma tendência, e o próprio relatório evita tratá-la como regra para o mercado. Segundo o texto, os achados “descrevem o comportamento de sites de PME estruturados para IA, sem estabelecer causalidade”. Outras empresas, em outros setores, podem ter resultados diferentes.
Outras pesquisas ajudam a entender por que a citação em IA não acompanha a posição no Google. Uma análise da Moz com quase 40 mil buscas nos Estados Unidos e no Reino Unido, publicada em fevereiro de 2026, encontrou que 88% das citações do Modo IA do Google não estavam entre os resultados orgânicos da mesma consulta.
A explicação aparece na documentação do Google para donos de sites, atualizada em dezembro de 2025. Segundo a empresa, as Visões gerais criadas por IA e o Modo IA podem desdobrar uma pergunta em várias buscas relacionadas, técnica que o Google chama de ramificação de consultas, o que permite mostrar um conjunto de links mais amplo do que o da busca clássica. O mesmo documento afirma que não há requisitos adicionais nem otimização especial para aparecer nesses recursos, e que as boas práticas de SEO continuam valendo.
Medir as próprias páginas é o primeiro passo
Para medir as próprias páginas, a pequena empresa já tem as ferramentas do estudo. O relatório de IA do Search Console e o do Bing Webmaster Tools são gratuitos e mostram quais páginas do site já aparecem nas respostas de IA.
A medição pesa mais à medida que o consumidor troca a lista de links pela resposta pronta, movimento que o Inteligência Setorial já mostrou em agosto, na reportagem sobre consumidores que perguntam à IA o que comprar.
Na divisão do livro de Ferraz, o estudo trata da Camada da Recomendação e mostra que, dentro dela, Google e Bing não pesam as páginas do mesmo jeito.
Uma página para cada pergunta
Uma página para cada pergunta cobre as duas preferências que o estudo descreve. Uma pequena empresa de engenharia pode publicar um guia sobre quando contratar um laudo técnico e uma página que compara os tipos de laudo, com prazos e condições. O guia atende a dúvida que o Google costuma levar à resposta de IA, e a comparação atende a busca que o Copilot costuma citar.
O relatório completo, com as tabelas e o material suplementar, está no registro do estudo no Zenodo.




