Viajar de carro para outro país é uma experiência completamente diferente de embarcar em um avião. Há liberdade para escolher o roteiro, fazer paradas pelo caminho, conhecer cidades menores e levar mais bagagem. Por outro lado, cruzar uma fronteira terrestre exige alguns cuidados que muita gente só descobre quando começa a organizar a viagem.
E não estamos falando apenas de conferir a validade do documento pessoal e fazer uma revisão no veículo.
Dependendo do destino, existem seguros obrigatórios, autorizações específicas para determinados veículos e regras que precisam ser observadas antes mesmo de sair do Brasil. É o caso do Carta Verde para viagens a países do Mercosul e do SOAPEX para quem pretende dirigir no Chile.
Por isso, antes de pegar a estrada, vale conhecer alguns detalhes que podem evitar problemas durante a viagem.
1. O seguro obrigatório muda conforme o país
Um dos pontos que mais geram dúvidas é a documentação relacionada ao veículo.
Quem pretende viajar para Argentina, Paraguai ou Uruguai precisa conhecer o Carta Verde. Trata-se de um seguro de responsabilidade civil relacionado à circulação internacional de veículos nos países abrangidos.
É possível contratar o seguro Carta Verde online antes da viagem e receber a apólice sem precisar deixar essa providência para a fronteira.
Já quem vai seguir viagem até o Chile precisa prestar atenção a outra exigência: o SOAPEX.
O seguro SOAPEX é destinado aos veículos estrangeiros que circulam em território chileno e possui características diferentes do Carta Verde.
Ou seja, ter contratado o Carta Verde não significa que o veículo automaticamente estará regularizado para circular no Chile. São seguros diferentes e destinados a situações distintas.
Essa informação é especialmente importante para quem planeja um roteiro maior pela América do Sul, passando, por exemplo, pela Argentina antes de chegar ao território chileno.
2. Carro emprestado pode exigir autorização
Imagine organizar toda a viagem, reservar hospedagens e preparar o roteiro para descobrir perto da data de saída que existe uma pendência relacionada ao proprietário do veículo.
Isso pode acontecer quando o carro utilizado não está no nome de quem está viajando.
Veículos emprestados por terceiros que não participarão da viagem podem exigir uma autorização do proprietário para circular no exterior. O cuidado também se aplica a situações envolvendo veículos registrados em nome de empresas.
Mesmo quando o proprietário é um familiar, não é recomendável presumir que o vínculo familiar substitui os documentos necessários para a viagem internacional.
Portanto, uma das primeiras verificações deve ser: em nome de quem está o veículo?
Resolver essa questão antecipadamente é muito mais simples do que tentar providenciar documentos quando a viagem já começou.
3. Veículo financiado também merece atenção
Outro detalhe que pode passar despercebido é a situação de veículos financiados.
Como existe uma instituição financeira envolvida na propriedade do bem, pode ser necessária uma autorização para que o automóvel circule fora do Brasil.
Isso significa que a documentação de uma viagem internacional deve começar a ser organizada com antecedência.
Não deixe para verificar a situação do financiamento na véspera da viagem. Consulte as exigências aplicáveis ao seu veículo e solicite eventuais autorizações ao financiador com tempo suficiente.
4. O seguro deve acompanhar corretamente os dados da viagem
Outro erro é tratar a contratação do seguro obrigatório como uma mera formalidade.
As informações fornecidas precisam ser conferidas cuidadosamente antes da emissão da apólice.
No caso dos produtos comercializados pela Real Seguro Viagem, por exemplo, a orientação é que Carta Verde e SOAPEX sejam emitidos em nome do condutor. Além disso, depois da emissão, não é possível cancelar o seguro ou alterar as datas informadas.
Portanto, antes de concluir a contratação, confira dados como:
- nome e informações do condutor;
- dados do veículo;
- país ou países do roteiro;
- data de entrada;
- data prevista de retorno;
- período total da viagem.
Um pequeno erro percebido somente depois da emissão pode gerar uma dor de cabeça desnecessária.
5. Carta Verde não é um seguro completo para o seu próprio carro
Esse é outro ponto que pode causar confusão.
O Carta Verde possui coberturas relacionadas a danos causados a terceiros. Na modalidade comercializada pela Real Seguro Viagem, por exemplo, há cobertura de até US$ 40 mil por pessoa para danos pessoais e morte de terceiros, limitada a US$ 200 mil por evento.
Para danos materiais causados a terceiros, a cobertura indicada é de US$ 20 mil, limitada a US$ 40 mil por evento.
Isso não significa, porém, que o seguro substitua automaticamente todas as proteções que o motorista poderia desejar para seu próprio veículo.
Antes da viagem, portanto, também vale conferir as condições do seguro automotivo que você já possui e verificar sua abrangência territorial.
6. SOAPEX e Carta Verde possuem coberturas diferentes
Outro detalhe importante para quem fará um roteiro por vários países é entender que os seguros não mudam apenas de nome.
O SOAPEX possui características próprias.
Entre as coberturas apresentadas estão morte acidental, invalidez permanente e despesas médico-hospitalares decorrentes de acidentes envolvendo o veículo segurado.
Portanto, não é adequado considerar Carta Verde e SOAPEX como produtos equivalentes destinados a países diferentes. Cada um segue regras e estruturas próprias.
Se o roteiro envolver Mercosul e Chile, verifique individualmente quais documentos e seguros serão necessários em cada trecho.
7. Motorhomes, motos e até reboques precisam entrar no planejamento
Quando falamos em viagem rodoviária internacional, é comum imaginar apenas carros de passeio.
Mas as viagens podem ser realizadas com diferentes tipos de veículos.
O Carta Verde pode ser contratado para categorias como carro, moto e motorhome. Já o SOAPEX também contempla situações envolvendo carro, moto, motorhome e reboque.
Quem viaja com uma configuração diferente de um automóvel convencional deve redobrar a atenção.
No caso de reboques, trailers ou outros equipamentos, vale verificar previamente a documentação específica necessária para atravessar cada fronteira do roteiro.
8. Não conte com resolver tudo na fronteira
Viajar de carro já envolve diversas variáveis: trânsito, condições climáticas, filas, combustível, pedágios, câmbio e possíveis mudanças de roteiro.
Por isso, quanto mais questões burocráticas puderem ser resolvidas antes da saída, melhor.
A contratação online dos seguros obrigatórios permite organizar essa parte ainda no Brasil.
A Real Seguro Viagem informa que a emissão do Carta Verde e do SOAPEX pode ocorrer em até 24 horas úteis, embora normalmente seja realizada antes desse prazo, com envio da apólice pelo WhatsApp.
Ainda assim, o ideal é não deixar para contratar na última hora.
Faça uma pasta física ou digital com todos os documentos necessários e mantenha os arquivos facilmente acessíveis durante a viagem.
9. Documentação do veículo não substitui documentação pessoal
Estar com o carro regularizado não significa que toda a documentação da viagem está resolvida.
Também é necessário conferir antecipadamente quais documentos pessoais são aceitos no país de destino e quais são as regras migratórias vigentes na data da viagem.
Além disso, verifique as exigências relacionadas à habilitação para dirigir, documentação original do veículo e eventuais autorizações.
As regras podem mudar, por isso a consulta a fontes oficiais próximas à data da viagem continua sendo indispensável.
10. Pesquise as regras de trânsito antes de cruzar a fronteira
As placas podem parecer familiares e as estradas podem ser semelhantes, mas isso não significa que todas as regras sejam iguais às brasileiras.
Limites de velocidade, equipamentos obrigatórios, regras de estacionamento, cobrança de pedágios e procedimentos em caso de acidentes podem variar entre os países.
Também é interessante planejar onde abastecer, quais meios de pagamento são mais aceitos e como funcionam os pedágios no percurso.
São detalhes aparentemente pequenos, mas que fazem uma diferença enorme quando você está a centenas ou milhares de quilômetros de casa.
Checklist antes de viajar
Antes de ligar o carro e começar a viagem internacional, faça uma última conferência:
- documentos pessoais válidos;
- habilitação e documentação do veículo;
- Carta Verde, quando exigido pelo destino;
- SOAPEX para circulação no Chile;
- autorização quando o veículo estiver em nome de terceiros ou empresas;
- autorização da instituição responsável, quando aplicável a veículos financiados;
- seguro automotivo e respectivas condições de cobertura internacional;
- documentos e regras específicas para reboques ou motorhomes;
- reservas e endereços das hospedagens;
- meios de pagamento;
- roteiro e alternativas de percurso;
- telefones de emergência e assistência.
Planejamento também faz parte da viagem
A viagem de carro para outro país começa muito antes de cruzar a fronteira.
Entender quais seguros são exigidos, verificar quem é o proprietário do veículo, providenciar autorizações e conferir as regras de circulação do destino são cuidados que evitam imprevistos.
Quem segue para Argentina, Paraguai ou Uruguai deve verificar previamente as condições do Carta Verde. Para quem vai ao Chile, o SOAPEX entra no planejamento.
Com a documentação organizada e as exigências verificadas antecipadamente, sobra mais tempo para aquilo que realmente importa: aproveitar a estrada, conhecer novos lugares e curtir a viagem com tranquilidade.
* Conteúdo desenvolvido pela jornalista Daiane de Souza (0007147/SC).




